Wednesday, 20/11/2019 - 15:54

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Capítulo I. Palavra escripta em uma pagina branca

O christmas (Natal) de 182* foi notavel em Guernesey. Cahio neve naquelle dia. Nas ilhas da Mancha, inverno em que ha neve, é memoravel: a neve é um acontecimento. Naquella manhã de christmas a estrada que orla o mar de Saint-Pierre Port au Valle assemelhava-se a um lençol branco: nevára desde...

Capítulo II. O tutú da rua

Gilliatt residia na parochia de Saint-Sampson, onde não era estimado e havia razões para isso. Em primeiro lugar, morava em uma casa mal assombrada. Acontece algumas vezes em Jersey e Guernesey, no campo e até na cidade, que, ao passar por um lugar deserto ou por uma rua muito habitada, vê-se...

Capítulo III. Para tua mulher, quando te casares

Voltemos a Gilliatt. Contava-se na terra que uma mulher, tendo comsigo um menino, viera em fins da revolução habitar Guernesey. Era ingleza, ou talvez franceza. O nome della, qualquer que fosse, a pronuncia guernesiana e a orthographia dos camponezes transformaram em Gilliatt. Vivia sosinha com o...

Capítulo IV. Impopularidade

Já o dissemos. Gilliatt não era estimado na parochia. Antipathia natural. Sobravam motivos. O primeiro acabamos de explica-lo, era a casa em que morava. Depois, a origem delle. Quem era aquella mulher? E este menino? A gente não gosta de enigmas a respeito de estrangeiros. Depois, trajava uma...

Capítulo V. Outros pontos ambiguos de gilliatt

Não estava fixa a opinião acerca de Gilliatt. Geralmente era tido por marcou. Outros acreditavam mesmo que fosse filho do diabo. Quando uma mulher, tem do mesmo homem, sete filhos machos consecutivos, o setimo é marcou. Mas para isso, é necessario, que nenhuma filha venha interromper a...

Capítulo VI. A pança

Tal era Gilliatt. As raparigas achavam-n’o feio. Gilliatt não era feio. Era talvez bonito. Tinha um perfil semelhante ao do barbaro antigo. Quieto, parecia um Dacio da columna trajana. As orelhas eram pequenas, delicadas, lisas, de uma admiravel forma acustica. Tinha entre os olhos a soberba...

Capítulo VIIi.  Casa embruxada, morador visionario

Gilliatt era o homem do sonho. Vinham dahi as suas audacias e as suas hesitações. Tinha idéas propriamente suas. Havia talvez nelle a ligação do allucinado e do illuminado. A allucinação entra na cabeça de um camponio como Martin, do mesmo modo que na cabeça de um rei como Henrique IV. O...

Capítulo VIII. A cadeira gild-holm-‘ur

Quem procurasse hoje a casa de Gilliatt, não a encontraria, nem o jardim, nem a enseada onde elle guardava a chalupa. A casa mal assombrada já não existe. A peninsula onde essa casa estava edificada cahio ao picarete dos demolidores, e foi conduzida, ás carradas, para os navios dos alborcadores...

Capítulo I. Vida agitada e consciencia tranquilla

Mess Lethierry, o homem notavel de Saint-Sampson, era um marinheiro terrivel. Tinha navegado muito. Foi grumete, gageiro, timoneiro, contra-mestre, mestre de equipagem, piloto, arraes. Agora era armador. Ninguem conhecia o mar como elle. Era intrepido para salvar gente. Quando havia temporal mess...

Capítulo II. Uma preferencia de mess lethierry

Gilliatt era um selvagem. Mess Lethierry era outro. Este, porém, era um selvagem elegante. Era exigente a respeito de mãos de mulheres. Ainda moço, quasi menino, estando entre marinheiro e grumete, ouvio dizer ao bailio de Suffren: Bonita rapariga, mas que grandes mãos vermelhas que ella...